quinta-feira, 9 de junho de 2011

Beldroegas passam de erva daninha à cozinha "gourmet"



Beldroegas passam de erva daninha à cozinha "gourmet"As beldroegas são uma planta infestante, desprezada por muitos, mas que é também saborosa, saudável e que nada custa. Encontrada com facilidade em quintais e campos de cultivo, de Norte a Sul, a beldroega dá passos rumo à "alta cozinha" por iniciativa da Escola Superior Agrária de Coimbra.


Seguindo o adágio popular que diz que a necessidade aguça o engenho, a Escola Superior Agrária de Coimbra (ESAC) inventou menus de beldroegas, a lembrar que essa erva desprezada por muitos é saborosa, saudável e nada custa.


A planta - que com facilidade atapeta quintais e campos de cultivo, e até se consegue encontrar em calçadas de avenidas de Coimbra -, em tempos de crise, como o actual, segundo os dinamizadores, deve ser recuperada nos seus usos tradicionais quase perdidos, alimentares e medicinais.


A ESAC desafiou alunos, docentes e funcionários a saborearem os pratos criados pelo seu chefe de cozinha António Neves, no âmbito de um projecto pedagógico multidisciplinar levado a cabo no início do mês, e a adesão foi tal que rapidamente se esgotaram no refeitório.


Agora, a escola quer fazer chegar a mensagem à sociedade e realçar que para a "alta cozinha", ou "cozinha gourmet", sempre ávida de novos produtos e sabores, este é um caminho a explorar.


E parece ser essa já uma via que a própria ESAC quer protagonizar, ao querer brindar em breve uma delegação de uma universidade estrangeira com uma cardápio de iguarias de beldroegas recriadas pelo chefe António.


No entanto, a intenção é que a sociedade tenha um outro olhar sobre essa "praga", essa planta infestante que quer ver longe dos quintais e dos campos de cultivo. Ela está ali à mão e nada custa.


Na gastronomia tradicional portuguesa, de Norte a Sul de Portugal, em especial no Alentejo, a beldroega ainda vai figurando nos menus, particularmente em sopas e saladas, mas a utilização fica muito aquém do seu valor intrínseco.


"Neste momento de crise é preciso inovar. Um dos aspetos interessantes é que nasce espontaneamente e é injustamente tratada como uma erva daninha", afirma a docente Leila Rodrigues, que dinamizou o programa multidisciplinar sobre a beldroega no âmbito da escrita académica no módulo curricular de língua inglesa e comunicação.


Filipe Melo, igualmente docente na ESAC, realça à agência Lusa que essa planta tem um elevado valor medicinal e nutricional, "porque é riquíssima em sais minerais e vitaminas", especialmente a A, B e C. "É rica em mucilagens, em ácido ómega-3", e entre as suas virtualidades destaca a ajuda à redução dos níveis de colesterol.

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